quinta-feira, 9 de junho de 2016

Namorada suspeita de encomendar morte de dono de academia em Belford Roxo deixa a cadeia


BELFORD ROXO - Elen Cristina Curi Ferreira, apontada pela polícia como a responsável por encomendar a morte do namorado Felipe Lavina Machado, deixou o sistema penitenciário no dia 25 de maio, por força de um habeas corpus. Ela estava presa na Cadeia Pública Joaquim Ferreira, no Complexo de Gericinó, em Bangu, desde o dia 21 de janeiro, quando foi detida pela segunda vez por agentes da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).


Por dois votos a um, os desembargadores da 6ª Vara Criminal decidiram que a jovem, de 23 anos, poderia aguardar o julgamento em liberdade. A primeira audiência referente ao caso está marcada para o dia 16 de junho, no Fórum de Nova Iguaçu, cidade da Baixada onde o crime ocorreu.

— Na janela entre a primeira soltura (ela já havia permanecido encarcerada de 12 de novembro até meados de dezembro) e a segunda prisão, não ocorreu nenhum embaraço à investigação por parte da Elen. Ela não tentou se evadir do Rio, não contatou testemunhas relativas ao caso e permaneceu colaborando, com o endereço atualizado. Inclusive, a Elen compareceu à delegacia várias vezes, parte delas desacompanhada de advogado, e sempre cooperou com a investigação e com o processo. Essa nova prisão era totalmente desnecessária — afirma o advogado Daniel Roriz, um dos responsáveis pela defesa da acusada.


Felipe Lavina, de 27 anos, era dono de uma academia em Belford Roxo e outra em Mesquita, foi morto depois de um assalto à sua casa, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Os bandidos tomaram R$ 10 mil que estavam em um cofre na residência, além de roupas e celulares, e levaram o empresário para o bairro K-11, em Nova Iguaçu, também na Baixada, onde ele foi executado com um tiro na cabeça, no dia 25 de outubro do ano passado.

Em depoimento na DHBF, ainda no fim de outubro, Elen contou que foi vendada e agredida pelos criminosos. A mulher também afirmou que o bando, composto por três homens armados, chegou à casa do empresário chamando-o pelo nome. Em seguida, o casal teria sido colocado em um carro e levado para Nova Iguaçu. Depois, Elen relatou ter levado coronhadas, sendo então abandonada com o veículo. Para a polícia, entretanto, o relato é falso, e coube a Elen a tarefa de facilitar o acesso dos assaltantes ao local.


Além da viúva, também respondem pela morte um menor de 17 anos, apreendido pela DHBF, e Luigi Sirino dos Santos. Elen e Luigi são réus no mesmo processo, pelo crime de latrocínio — o roubo seguido de morte. A pena pode chega a 30 anos de prisão.

— Tudo é oriundo de um suposto depoimento de um menor de idade, que a gente não sabe nem em que circunstâncias foi tomado. Ela ficou bem abatida (pelo período presa), mas sempre sustentou para familiares, amigos e para a defesa que é inocente. A Elen sustenta uma verdade, e isso facilita até mesmo o nosso trabalho — diz o advogado Daniel Roriz.


DHBF: 'Relação de amizade' com assassino

De acordo com a DHBF, depoimentos de familiares de Marlon Paranhos da Silva, de 24, conhecido como Semente, e acusado de ter atirado contra Felipe, foram a peça chave para desvendar o crime.

— Os parentes afirmaram ter visto a Elen na casa do Marlon dois dias antes do crime. Disseram, também, que viram eles juntos algumas outras vezes e que mantinham uma relação de amizade — conta o delegado titular da especializada, Giniton Lages.


Ainda segundo o delegado, Semente foi morto pelo tráfico da Chatuba, em Mesquita, no dia 29 de outubro, algumas semanas depois do crime, porque estava devendo dinheiro ao chefe e também porque o teria desagradado com o assassinato do empresário:

— A dívida com o tráfico seria, inclusive, um dos motivos para roubar o dinheiro do Felipe. Além disso, Elen acreditava que o namorado guardava R$ 300 mil no cofre de casa, e não R$ 10 mil, como foi encontrado no dia do crime. Esse dinheiro ia ser dividido por cinco pessoas: ela e mais quatro.

Semente teria atirado em Felipe após ser reconhecido, já que sua avó morava perto da casa do empresário. De acordo também com informações de Lages, outro bandido que participou do crime foi assassinado, mas a polícia não divulgou o nome.



Via Jornal Extra

Nenhum comentário:

Postar um comentário