quinta-feira, 9 de junho de 2016

Epidemia de esporotricose no estado assusta belforroxenses

Belford Roxo está com vários casos notificados. A população deve tomar muito cuidado quando estiver em contato com os Felinos


BELFORD ROXO - O Estado do Rio enfrenta uma epidemia de esporotricose, doença que afeta animais, principalmente gatos, transmissível a humanos. Trata-se de micose que provoca lesões profundas na pele, semelhantes à leishmaniose. No gato, pode ser mortal. Já em humanos, tem cura. De acordo com as secretarias de Saúde do estado e do município, os números da enfermidade, causada por um tipo resistente de fungo, o Sporothrix schenckii, são preocupantes.


De acordo com a Vigilância Sanitária, só de janeiro a maio a rede municipal atendeu 1.581 casos de esporotricose em gatos. O número representa quase a metade do total de atendimento do ano passado, que foi de 3.253, o que fez o órgão a lançar a campanha ‘Esporotricose — um risco para seu gato e para você’.

A vigilância sanitária de Belford Roxo informa que há registro de diversos casos em Belford Roxo e que a população deve tomar muito cuidado quando estiver em contato com os felinos.

Nos últimos dois anos no estado do Rio de Janeiro, a doença já infectou 1.845 pessoas. Só na capital, 622 cariocas foram contaminados entre 2014 e 2015. Não há registro de óbitos humanos. “A situação vem se complicando com o passar do tempo, principalmente nas zonas Norte e Oeste. Mas é preciso deixar claro que a doença é curável e que os donos de gatos não devem abandonar e, muito menos, sacrificar os animais”, pondera a médica veterinária da Vigilância Sanitária Municipal Bárbara Montes. Ela aconselha a quem cria gatos castrar os animais e mantê-los o maior tempo possível em casa para evitar possível contágio nas ruas e quintais.

Segundo Bárbara, a contaminação ocorre através do contato das garras do animal com material orgânico em decomposição, como cascas de árvores, palhas, farpas, espinhos e o solo. “Com o fungo instalado, o gato transmite a doença através de arranhões, mordidas e contato direto com a pele lesionada”, alerta.

Três meses de remédio

A psicóloga Helena Cardoso Mourão, de 38 anos, de Botafogo, contraiu esporotricose quando atuava como voluntária num abrigo de gatos. “Eu cuidava de uma gata, de nome Ceci, que adquiriu o fungo e de quem acabei contraindo a doença. Começou com uma leve lesão nas costas, que aumentou e desencadeou um inchaço lombar”, lembra Helena, ressaltando que teve de tomar antifúngico oral por três meses. “Hoje, eu e a gata não temos nenhum vestígio do mal”, atesta Helena.

Com o aumento do número de casos de esporotricose, a Vigilância Sanitária ampliou o atendimento nas unidades de zoonoses e medicina veterinária. O Instituto de Zoonoses Paulo Dacorso Filho (IPDF, no Largo do Bodegão 150, em Santa Cruz), e o Instituto de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman (IJV, na Av. Bartolomeu de Gusmão 1.120, São Cristóvão), disponibilizam atendimento gratuito. São feitos encaminhamentos de material para análise em laboratório, medicações, orientações para o tratamento em casa, castração e monitoramento. Além dos animais levados pelos donos, as unidades também tratam daqueles abandonados nas ruas.

Animal deve ser cremado

Para lidar com animais contaminados por esporotricose, é preciso usar luvas; limpar o ambiente com água sanitária; manter os felinos em local seguro e isolado e cremar animais que não resistirem, pois o fungo sobrevive na natureza. Outra recomendação é não fazer curativos locais nem banhar gatos doentes.

Pesquisador em Dermatologia Infecciosa do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Dayvison Freitas afirma que a esporotricose despontou em 1998. Sua pesquisa adverte grupos específicos que se tornam de risco, em que a esporotricose pode até matar, como gestantes e portadores de dacriocistite, síndrome de Sweet e Aids.

Tratamento é demorado

Dependendo dos estágios da doença, medicamentos antifúngicos orais podem ter que ser administrados por período de tempo prolongado, em alguns casos ultrapassando seis meses. Nos gatos, estágios avançados da doença, com múltiplas e graves lesões, são de difícil tratamento, e esta indicação deve ser avaliada criteriosamente somente por um veterinário.

Estudos já comprovaram que o gato é o animal doméstico mais sensível à esporotricose. O cão raramente adoece, e dificilmente transmite a doença a outros animais. A esporotricose no cão quase sempre se inicia com feridas no focinho, membros ou no corpo, e ocorre após contato com gato doente.

O fungo Sporothrix schenckii, encontrado na natureza, pode se instalar em diversos tipos de animais, mas atinge mais os gatos por conta, segundo estudos, dos hábitos de caça, contato com a terra, com árvores e de disputas por território, por sexo e brigas entre eles, que facilitam a disseminação da doença em virtude de arranhaduras e mordeduras.

O Dia / Notícias de Belford Roxo
Fotos ilustração Internet

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