segunda-feira, 29 de julho de 2013

Jovens meninas treinam pesado atrás do sonho de ser campeãs de MMA. Esporte é fenômeno em Belford Roxo



BELFORD ROXO - Elas usam maquiagem, não dispensam hidratante e perfume, cuidam dos cabelos com esmero, e algumas não abrem mão de longas unhas postiças. Mas, além dessas peculiaridades femininas, sempre tiveram mais uma coisa em comum: quando crianças, só gostavam das brincadeiras de meninos. A idade avançou, mas o gosto continuou e as pipas foram substituídas por socos e pernadas. Agora Gisele Macielel, 28 anos, e Michelle Platenik, 20, são as novas promessas no mundo glamuroso do MMA (Artes Marciais Mistas). 

A Baixada Fluminense começa a investir nas moças. “Essa daí explode em dois anos”, vaticina o precursor das lutas de MMA, o empresário Antônio Tolentino, o Gringo, apontando para a morena Gisele. Gringo fundou o Instituto Formando Campeões (IFC), onde Michelle e Gisele treinam.

No universo das artes marciais mistas, “explodir” quer dizer conquistar reconhecimento, fama e dinheiro. O caminho até o topo pode ser rápido, mas árduo. Gisele, por exemplo, trabalha como agente comunitária de saúde em Mendes e vai três vezes por semana a Belford Roxo treinar no instituto. Para ela, que já praticava muay thai há oito anos, o sacrifício vale a pena. Em sua primeira luta como profissional, em 2007, se consagrou vencedora.

Michelle é outra grande aposta. “Sempre gostei de esportes masculinos e aos 15 anos já estava treinando kickboxing. Lutei quatro campeonatos nessa modalidade e venci todos”, orgulha-se a moradora de Belford Roxo, deixando escapar em seguida a grande frustração: “Só se ganha medalhinha e troféu. O atleta não tem reconhecimento. No MMA é diferente, porque o esporte ficou glamuroso e a gente pode vislumbrar um futuro melhor”, ressalta.

Região vira um celeiro de talentos

A possibilidade de fazer fama e fortuna tem produzido fenômeno na Baixada: a proliferação de lutadores de MMA. Municípios como Belford Roxo, São João de Meriti e Queimados se transformaram em grandes mananciais de talentos. Alguns já romperam as divisas da região e disputam campeonatos importantes em outros estados e mundo afora.

Exemplo disso são os lutadores Márcio Pedra e William Patolino, que saíram do Instituto Formando Campeões diretamente para o “reality” The Ultimate Fighter Brasil. “No próximo mês, sete profissionais treinados no IFC vão disputar campeonato na Califórnia”, diz Gringo. Lango Jonh, Paulo Henrique, Veridiano, Alan Araújo, Matheus, Marlon Mamede e Luís Cesar Júnior são as novas promessas.

Para aumentar as chances de fazer campeões, Gringo firma parcerias com outras academias. Mestre Coruja, de Queimados, cedeu um dos seus alunos para disputas do IFC: Luís Júnior, 21 anos, campeão na categoria 66 kg no torneio em homenagem ao ator Arnold Schwarzenegger, em maio passado.

Catarinense Cris Cyborg é modelo para a nova geração de lutadoras 


Cris Cyborg é o cara. Ou melhor: a mina. Integrante do Invicta Fighting Championship, uma organização internacional específica para mulheres do MMA, a brasileira de Santa Catarina é o modelo desta nova geração de lutadoras.“A Cris é o nosso espelho, nossa inspiração”, define Larissa Muniz, 17, há seis meses treinando para entrar num octógono. Gringo convidou Cyborg para ser madrinha do Instituto. Ela veio ao Rio em maio passado para visitar as instalações do IFC. 

O instituto se matém com ajuda financeira de alguns amigos. São1.400 alunos, dos quais 28 são profissionais e campeões em vários torneios brasileiros: Jocelei Ledra, 26, conhecido como Bolomon, foi bicampeão estadual (2007/08), em kickboxing; Fabiano Silvestre, 32, bicampeão intermunicipal em muay thai (2010/11); André Vaz, de 19, em 2010 foi o nocaute mais rápido do Brasil em kickboxing (oito segundos). Alunos de Mestre Coruja, eles não contam com nenhuma ajuda do governo para se aprimorar no MMA.

Sobre barreiras do preconceito 

Vencer barreiras, principalmente as do preconceito, é o primeiro desafio das mulheres no mundo do MMA. “Sempre quis fazer coisas diferentes das outras moças, quebrar paradigmas. Aí, fui jogar futebol. Depois me encantei pelas lutas, mas no início tive que esconder do meu pai, que era preconceituoso em relação a mulheres que faziam atividades consideradas masculinas”, conta Gisele.

O pai de Michelle, seu Waldemir, não é muito diferente do seu Edson, pai de Gisele. “Ele falava que gostava de ver o filho dos outros apanhar. Mas a filha dele, não”, revela a lutadora. A mãe de Michelle, dona Marisa, não teve preconceito. Porém, nem se atreve a chegar perto de um octógono. “Minha mãe diz que se eu estiver apanhando, invade o ringue”, conta, aos risos.

Via O Dia
Foto Cris Cyborg: Notícias de B.Roxo


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